EMDR e Brainspotting são por vezes apresentados lado a lado, criando a impressão de que são técnicas semelhantes e igualmente sustentadas pela investigação. Não são.

Isto não invalida uma experiência positiva com Brainspotting nem significa que o EMDR resulte para todas as pessoas. Significa que as duas abordagens têm níveis de evidência muito diferentes.

O que é o EMDR?

EMDR significa Eye Movement Desensitization and Reprocessing. É uma psicoterapia estruturada, inicialmente desenvolvida para o tratamento de memórias traumáticas.

Inclui recolha da história, preparação e estabilização, identificação de memórias-alvo, processamento e reavaliação. Em determinadas fases pode utilizar estimulação bilateral através de movimentos oculares, sons ou estímulos táteis.

O EMDR tem sido estudado em numerosos ensaios clínicos, revisões sistemáticas e meta-análises, sobretudo na perturbação de stress pós-traumático, e é incluído em recomendações clínicas internacionais.

O que é o Brainspotting?

O Brainspotting foi desenvolvido por David Grand, em 2003. Parte da observação clínica de que determinadas posições do olhar poderiam estar associadas a maior ativação emocional e corporal.

Durante a sessão, terapeuta e cliente procuram uma posição visual relacionada com uma experiência interna relevante. A pessoa mantém a atenção nesse ponto enquanto observa sensações, emoções, imagens e pensamentos.

Algumas pessoas descrevem o processo como profundo ou menos dependente da verbalização. Estas descrições clínicas são relevantes, mas não equivalem, por si só, a evidência de eficácia.

Onde está a diferença científica?

O EMDR dispõe de:

O Brainspotting dispõe sobretudo de:

Não é cientificamente rigoroso afirmar que Brainspotting e EMDR têm eficácia equivalente.

Falta de evidência não é prova de ineficácia

Dizer que ainda não existe evidência robusta sobre Brainspotting não significa afirmar que a técnica não funciona. Significa que ainda não sabemos com confiança quanto do efeito é específico, como se compara com tratamentos estabelecidos, para quem funciona melhor e qual a estabilidade dos resultados.

Uma pessoa pode sentir-se melhor depois de uma intervenção ainda pouco estudada. Essa melhoria pode ser real. Para concluir que a técnica é eficaz, contudo, é necessário distinguir o seu efeito de fatores como expectativa, atenção terapêutica, relação com o terapeuta, passagem do tempo e outros tratamentos.

O EMDR também exige prudência

Ter mais evidência não torna o EMDR adequado a qualquer pessoa ou a qualquer momento. O trabalho com memórias traumáticas pode acompanhar-se de aumento temporário de ativação, pesadelos, intrusões, cansaço ou desregulação.

Uma análise recente de ensaios de EMDR mostrou que os efeitos adversos continuam a ser insuficientemente registados. Isto não demonstra que sejam frequentes; demonstra que ainda não foram avaliados com o rigor necessário.

A segurança depende da avaliação, preparação, estabilidade da pessoa, formação do terapeuta e capacidade para ajustar ou interromper o processo.

O que deve orientar a escolha?

Devem ser considerados a natureza e duração do trauma, sintomas dissociativos, risco atual, capacidade de regulação, condições médicas e psiquiátricas, rede de apoio, preferência da pessoa e competência do terapeuta.

Uma técnica não deve ser escolhida apenas porque parece mais rápida, profunda ou “neurobiológica”. O trauma não está armazenado num único ponto do cérebro como um ficheiro: envolve redes distribuídas de memória, emoção, perceção, atenção e resposta autonómica.

Transparência também é terapêutica

É possível dizer que uma abordagem tem evidência sólida para determinado problema e que outra é promissora, mas ainda pouco estudada. Esta transparência protege a autonomia, melhora o consentimento informado e não transforma hipóteses clínicas em certezas.

Integração não significa aceitar todas as abordagens como equivalentes. Significa combinar abertura clínica com pensamento crítico.

O trauma precisa de segurança, ritmo e contexto.

Na ZenMind, a escolha das ferramentas terapêuticas parte da avaliação individual, da evidência disponível e das necessidades de cada pessoa.

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Este artigo é informativo e não substitui avaliação psicológica ou médica individualizada. Em caso de emergência ou risco imediato, contacte o 112.

Referências

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